O longo caminho de Leonardo Di Caprio até o Oscar – Parte 2

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Por Janaina Pereira

Continuamos a odisseia que levará Leonardo Di Caprio ao seu primeiro Oscar. Depois de conferir suas cinco indicações, vamos ver todas as chances que ele teve de ser indicado, e foi totalmente ignorado pela Academia de Hollywood. Da lista de dez filmes que veremos a seguir, pelo menos sete (sim, eu disse sete) eram consideradas indicações certas. Mas o que será que aconteceu?

Diz a lenda que a Academia não simpatiza com Leo. E isso não vem de agora, mas de uma certa ‘birra’ que Hollywood tem com atores bonitos. As atrizes belas, mais cedo ou mais tarde são indicadas, muitas vencem (e nem sempre convencem) e nunca têm a questão da beleza como empecilho para o Oscar. Já os homens, não é de hoje, sofrem. Paul Newman que o diga. Diversos atores que são conhecidos como galãs levam muitos anos – e precisam envelhecer – para provar o talento. A lista é longa e Di Caprio seria apenas mais um. A diferença é que, ao contrário de Tom Cruise, maior astro do cinema nos anos 1980/1990 (e que na época fazia filmes com a pretensão de ganhar a estatueta), ele seguiu em frente apostando naquilo em que acreditava. Assim, o menino perdeu os traços infantis, virou homem, arriscou em trabalhos ousados, foi dirigido por grandes cineastas, se tornou produtor e fez uma das maiores parcerias da história do cinema – com Martin Scorsese, outro que, um dia, já foi esnobado pelo Oscar.

Assim como muitos fãs de Di Caprio, eu também queria que ele ganhasse um Oscar pelos filmes do Scorsese. Depois que ganhar o primeiro, quem sabe outros virão. Talento ele tem. Querendo ou não, a Academia terá que se redimir no próximo dia 28 de fevereiro. Leonardo Di Caprio é o maior astro de Hollywood, e ator com maior potencial de bilheteria. É um caso raro que une talento e popularidade. O público pede sua premiação, e com as redes sociais, isso virou uma obrigação. Não, não é o melhor trabalho dele. Mas isso agora virou um detalhe.

Confiram todas as vezes que Leo ia ser indicado ao Oscar, mas a Academia se esqueceu dele.

A primeira não indicação – Titanic (1997)

Essa é a mais famosa e inexplicável não indicação. No ano de 1998, o longa de James Cameron virou fenômeno mundial, quebrou recordes de bilheteria, conseguiu 14 indicações ao Oscar e venceu em 11 categorias. Leo, no entanto, foi ignorado. Ele não compareceu à cerimônia de premiação, o que teria deixado os membros da Academia irritados – e, diz a lenda, teria se convertido em várias não indicações nos anos seguintes. Vale lembrar que a história de amor de Rose (Kate Winslet) e Jack (Di Caprio) é uma das melhores coisas do filme – e não existiria Rose sem Jack (foto), portanto Di Caprio merecia ser indicado, já que Kate foi. Jack Nicholson, por Melhor é Impossível, venceu pela terceira vez naquele ano.

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A segunda não indicação –  Prenda-me se for Capaz (2002)

Di Caprio se junta a Steven Spielberg e Tom Hanks para fazer o delicioso filme sobre o trambiqueiro Frank Abagnale Jr. (foto), que antes de chegar aos 19 anos de idade conseguiu milhões de dólares alegando ser médico, advogado e piloto de uma companhia aérea. Aos 28 anos, o ator ainda tinha um rosto juvenil e convence como o adolescente cheio de lábia. Indicado ao Globo de Ouro de 2003, foi ignorado pelo Oscar daquele ano.

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A terceira não indicação – Gangues de Nova York (2002)

O ano de 2002 marcaria a virada na carreira de Di Caprio. Depois do sucesso mundial em Titanic, o ator viu diversas possibilidades em sua carreira, mas a popularidade não afetou suas escolhas. Naquele ano, ele optou por trabalhar com Steven Spielberg e Martin Scorsese, iniciando com este uma parceria de sucesso, e trilhando o caminho de colaborar com grandes diretores (foto). O longa sobre a imigração irlandesa em Nova York recebeu dez indicações ao Oscar de 2003 e perdeu todas. Daniel Day-Lewis foi o único lembrado do elenco, mas o prêmio ficou com o então desconhecido Adrien Brody, por O Pianista.

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A quarta não indicação – Os Infiltrados (2006)

Duplamente indicado ao Globo de Ouro por este longa de Martin Scorsese e por Diamantes de Sangue, Leo concorreu ao Oscar de 2007 pelo segundo. Até hoje muita gente acha que ele merecia a indicação por Os Infiltrados, que daria, finalmente, a estatueta dourada de direção e filme a Scorsese (Forest Whitaker, por O Último Rei da Escócia, ganhou como ator). Di Caprio mostra todo o seu amadurecimento pessoal e artístico como o jovem que vira informante da polícia e se infiltra dentro de um grupo criminoso da máfia irlandesa (foto). É um dos seus melhores papeis, e um dos seus filmes de maior sucesso.

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A quinta não indicação – Foi Apenas um Sonho (2008)

O drama dirigido por Sam Mendes (Beleza Americana) sobre um casal do subúrbio que vive os dilemas entre uma vida pacata ou ir atrás de seus sonhos, reúne depois de 11 anos os protagonistas de Titanic, Kate Winslet (na época casada com Mendes) e Leonardo Di Caprio (foto). O não casal mais querido de Hollywood repete a química em cena, com dois personagens complexos e muito bem estruturados. Indicados ao Globo de Ouro (Kate venceu), o filme é ignorado solenemente nas categorias principais do Oscar 2009. Kate venceria pela primeira vez o prêmio, mas por outro filme, O Leitor. Sean Penn levaria sua segunda estatueta entre os atores, por Milk, tirando o prêmio do favorito da época, Mickey Rourke, por O Lutador. No entanto, até hoje a não indicação de Di Caprio é comentada, por este ser um dos seus trabalhos mais completos no cinema.

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A sexta não indicação – Ilha do Medo (2010)

Considerado um dos melhores trabalhos da dupla Di Caprio (aqui ele também é produtor) e Scorsese, ambos foram ignorados pelo Oscar mais uma vez. Leo interpreta um investigador que procura saber o que aconteceu a um paciente de um hospital, localizado em uma ilha misteriosa. Aquela sensação de ‘nem tudo é o que parece’ permeia o filme, e o ator tem uma atuação fundamental para o sucesso do longa. Mesmo sem o reconhecimento de prêmios, transforma Leo no nome mais forte de Hollywood, porque aquele foi ano em que ele faria outro filme de sucesso (adivinhem qual é?)

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A sétima não indicação – A Origem (2010)

Sim, chegamos ao ápice da carreira de Di Caprio. Este foi o filme que o colocou no topo da lista dos astros de Hollywood (foto). O longa de Christopher Nolan, sobre invadir mentes e plantar ideias, é apontado como um dos melhores de todos os tempos, e traz Leo liderando um elenco espetacular (que inclui Marion Cottilard, Joseph Gordon-Levitt, Michael Caine, Tom Hardy e Ellen Page). Ninguém sabe se o peão parou ou não (não viu o filme? Não vai entender a piada!), mas não há dúvidas de que a interpretação do ator é espetacular. Subestimado no Oscar de 2011– foi indicado, sem chances, a melhor filme, e venceu em quatro categorias técnicas -, ano em que Colin Firth, por O Discurso do Rei, venceu como ator.

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A oitava não indicação – J. Edgar (2011)

Foi um alvoroço quando Di Caprio anunciou que ia filmar com Clint Eastwood, um dos diretores mais queridos de Hollywood. O projeto era nada menos que a cinebiografia do ex-diretor do FBI, o polêmico J. Edgar Hoover. Com direito a especular o homossexualismo do personagem, o filme ‘envelhece’ Leo (foto), em um trabalho de composição marcante. Muita gente não gosta do longa, mas todos são unânimes em relação à atuação de Leonardo Di Caprio. O ator concorreu ao SAG de 2012 (prêmio do Sindicato dos Atores, uma prévia do Oscar), mas isso não foi o suficiente para ser indicado à estatueta dourada. Naquele ano, o francês Jean Dujardin venceu o Oscar, por O Artista, em um dos prêmios mais duvidosos de todos os tempos.

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A nona não indicação – Django Livre (2012)

E foi Quentin Tarantino quem colocou Leonardo Di Caprio para fazer um vilão de fato e de direito no cinema (foto). O faroeste sanguinário do cineasta traz o ator como um fazendeiro cruel, em uma trama sobre a escravidão. Público e crítica apostavam em Leo como indicado (e vencedor) entre os coadjuvantes, já que os protagonistas do filme eram Jamie Foxx e Christopher Waltz. Surpreendentemente, Waltz concorreu (e ganhou) como coadjuvante em 2013, enquanto Leo, mais uma vez, ficou a ver navios.

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A décima não indicação – O Grande Gatsby (2013)

Nove em cada dez pessoas odeia o remake do filme estrelado lá nos anos 1970 por Robert Redford. A indicação de Leo aqui seria bem polêmica, e no mesmo ano ele fez O Lobo de Wall Street, e foi indicado por este filme. De qualquer modo ele perderia para Matthew McConaughey, por Clube de Compras Dallas, que era o favorito em 2014. Mas vale citar que pelo papel do bilionário Jay Gatsby (foto) no longa de Baz Luhrmann (que o dirigiu em Romeu + Julieta, de 1996), o ator ganhou o People´s Choice. Esse é um dos poucos prêmios da sua carreira. Ele tem ainda três Globos de Ouro e um Leão de Prata em Berlim (por Romeu + Julieta). Parece que, 26 anos depois de começar na televisão, chegou a vez dele se consagrar nos dois prêmios mais importantes do cinema americano: o SAG e o Oscar. É esperar para conferir se dessa vez, finalmente, ele vence.

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Fotos: Divulgação

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